As novas estrelas mais próximas da Terra

Por Ethan Siegel

Traduzido por Marco Antônio Centurion Medeiros

Quando você pensa em novas formações de estrelas na Via Láctea, você provavelmente imagina uma região gigante de formação de estrelas como a Nebulosa de Órion, contendo milhares de novas estrelas com luz tão brilhante que é visível à olho nu.  Com mais de 400 parsecs (1.300 anos-luz) de distância, é uma das mais espetaculares visões no céu noturno, e a vasta maioria de luz vindas das galáxias origina-se de nébulas como esta. Mas devido a grande luminosidade e relativa proximidade torna-se fácil ignorar o fato que há uma enorme quantidade de regiões de formação de estrelas mais próximas que a Nébula de Órion; estas são apenas bem menos luminosas.

Se você tiver uma nuvem molecular colapsando muitas centenas de milhares (ou mais) vezes a massa do nosso Sol, você terá uma nébula como a de Órion. Porém se sua nuvem é apenas poucos milhares a massa do Sol, ela será mais fraca. Na maioria dos casos, os aglomerados de matéria interna crescerão vagarosamente, a matéria neutra bloqueará mais luz que sua nuvem reflete ou emite, e somente uma pequena fração de estrelas que se formam – as mais massivas e brilhantes – serão visíveis. Entre apenas 400 e 500 anos-luz de distância estão as mais próximas regiões da Terra: as nuvens moleculares na constelação de Camaleão e a Corona Australis. Junto com a nuvem molecular Lupus (média de 600 anos-luz de distância), essas manchas negras que bloqueiam a luz são virtualmente desconhecidas para a maioria dos observadores do céu no hemisfério norte, sendo que estes são todos objetos visíveis do hemisfério sul.

À luz visível, esses objetos aparecem predominantemente como manchas negras, obscurecendo e avermelhando a luz das estrelas de fundo. Entretanto no infravermelho o gás brilha intensamente assim que se formam novas estrelas no interior. Com observações onde a luz próxima do infravermelho e luz visível são combinadas, assim como as feitas pelo Hubble Space Telescope, pode-se revelar estruturas de nuvens tão bem quanto das jovens estrelas internas. Na nuvem de Camaleão, por exemplo, existem entre 200 e 300 novas estrelas, incluindo outras mais 100 fontes de raio X (entre as nuvens Camaleão I e II), aproximadamente 50 estrelas T-Tauri e somente um par de massivas, estrelas classe B. Há uma terceira nuvem molecular escura (Camaleão III) que ainda não formou nenhuma estrela.

Enquanto a maioria das novas estrelas formam-se em nuvens moleculares grandes, as novas estrelas mais próximas formam-se em nuvens bem menores e mais abundantes. Conforme alcançamos os mais distantes quasares e galáxias no universo, lembre-se que há ainda mistérios sobre formação de estrelas para serem desvendados aqui em nosso quintal.

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Crédito da imagem: NASA e ESA Hubble Space Telescope. Agradecimentos: Kevin Luhman (Universidade do Estado da Pensilvânia), e Judy Schimdt, da nuvem Camaleão e as recém-formadas estrelas internas – HH 909A – emitindo fluxos estreitos de gás de seus pólos.

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