A Galáxia mais solitária do Universo.

Por Ethan Siegel

Traduzida por Márcio Augusto Lopes

Nossos maiores levantamentos em grande escala do universo nos deu uma visão sem precedentes da estrutura cósmica que se estende por dezenas de bilhões de anos-luz. Com os efeitos combinados entre matéria conhecida, a matéria escura, energia escura, os neutrinos e radiação e tudo o que afeta enquanto aglomerados de matéria, entram em colapso e se separam ao longo do tempo; a grande teia cósmica que vemos está tremendamente de acordo com as nossas melhores teorias: o Big Bang e a Relatividade Geral. No entanto, esse entendimento só foi possível por causa do trabalho pioneiro de Edwin Hubble, que identificou um grande número de galáxias fora da nossa própria, medindo corretamente a distância (na sequência dos trabalhos de Vesto Slipher e suas medições do desvio para o vermelho), descobrindo o universo em expansão.

Mas, e se a Via Láctea não estivesse localizada em uma das “vertentes” da grande teia cósmica, onde as galáxias são abundantes e onipresentes em muitas direções diferentes? E se, em vez disso, nós nos localizássemos em um dos grandes “espaços vazios” que separam a grande maioria das galáxias? Deveríamos ter telescópios e tecnologias de imagem muito mais avançados do que Hubble tinha à sua disposição para detectar até mesmo uma única galáxia além de nossa própria, muito menos dezenas, centenas ou milhões, como temos hoje. Enquanto que as galáxias mais próximas de nós estão apenas alguns milhões de anos-luz de distância, existem vazios tão grandes que uma galáxia situada no centro de um destes pode não ver outra além de cem vezes essa distância.

Enquanto nós temos prontamente aprendido sobre o nosso lugar no universo ao observar o que está ao nosso redor, nem todos são tão afortunados. Em particular, a galáxia MCG + 01-02-015, que não tem uma única galáxia conhecida em torno dela por cem milhões de anos-luz em todas as direções. Basta desenhar uma esfera em torno da Via Láctea com um raio de 100 milhões de anos-luz e encontramos centenas de milhares de galáxias. Mas não a MCG + 01-02-015; é a mais solitária galáxia já descoberta. A nossa Via Láctea, como a maioria das galáxias, tem sido construída por fusões e acréscimos de muitas outras galáxias ao longo de bilhões de anos, com estrelas e gás adquiridos a partir de de nossos antigos vizinhos. Mas uma galáxia isolada como esta tem apenas a matéria que nasceu consigo própria.

Edwin Hubble fez a sua descoberta universal usando e adaptando a tecnologia (da época) de telescópios a partir de 1917. No entanto, ele teria encontrado absolutamente zero (nenhuma) outras galáxias se nós estivéssemos situados na localização da MCG + 01-02-015. A primeira galáxia visível não teria aparecido até que nós tivéssemos o nível de tecnologia dos anos 60; e quem sabe se o que teríamos se continuassem procurando (no céu)? Se fôssemos uma galáxia tão solitária, teríamos desistido da busca, concluindo que a nossa galáxia abrangeu toda a existência? Ou será que continuaríamos espreitando mais profundamente para o vazio, descobrindo a nossa localização incomum em um vasto, universo em expansão? Para os habitantes da galáxia mais solitária, só podemos esperar que eles não desistam da busca, descobrindo, assim, o universo (por) inteiro.

Crédito de imagem: ESA / Hubble e NASA e N. Gorin (STScI); Agradecimento: Judy Schmidt, a mais solitária galáxia no vazio conhecido: MCG+ 01-02-015.
Crédito de imagem: ESA / Hubble e NASA e N. Gorin (STScI); Agradecimento: Judy Schmidt, a mais solitária galáxia no vazio conhecido: MCG+ 01-02-015.
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